quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Indisposição
Vê-se ao espelho todos os dias, sem hora marcada. Vaidosa. Não é defeito, é feitio, justifica-se. Após seringas de botox pelas latitudes obesas e diversas costuras disfarçadas em cimeiras de entendimentos, vendidos a preço de saldo, adora pavonear-se pelos becos das capitais do terceiro mundo. Adora beijar-se a si própria de tão autista que se tornou. Olha, mas não consegue ver. Aos domingos à tarde roda em sentido contrário para calar a boca aos críticos que a acusam de entrar numa rota de auto-destruição. A cada dia abre novos buracos criando uma atmosfera desfiltrada, que faz retornar Copérnico ao centro das palavras. Está desapontada com o Sol na sua pele estaladiça. Torna-se desfigurada. Se tivesse um buraco enfiava-se nele. Deu o passo em frente e nem deu por isso. Odeia ser engolida assim, por si própria. Vinte e quatro horas inanimadas depois, acordou mal disposta. Não se pode engolir uma Terra assim. Causa indigestão.
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